Em 1859, o cientista Charles Darwin publicou o livro “A origem das Espécies” que introduziu a teoria da evolução e a idéia de um ancestral comum a todos os seres, fundando o Evolucionismo. Tal descoberta alterou de forma radical o modo como o Mundo passaria a ser encarado pelo homem, em termos científicos, religiosos e filosóficos, gerando resistência e controvérsias.
O próprio Darwin, de família muito religiosa, teve dificuldades em aceitar que havia descoberto algo totalmente contrário a tudo o que ele acreditava. Até o surgimento da teoria da evolução, os povos entendiam que Deus havia criado em sete dias o universo, o nosso planeta e todas as formas de vida. De acordo com a Bíblia, depois da criação, a Terra sofreu uma catástrofe, denominada dilúvio do Gênesis. E assim, algumas espécies de animais e plantas foram extintas ou sofreram mutações. Essa vertente religiosa de explicação da vida é chamada de Criacionismo.
Ainda que após duros embates e muita resistência, no século passado, a teoria evolucionista tornou-se a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Esse assunto polêmico que envolve ciência e religião será tratado na palestra “O impacto das teorias evolutivas nos pensamentos fundamentalistas”, ministrada pelo Prof. Msc. João Henrique dos Santos da Universidade Gama Filho, no III Ciclo de Palestras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
De acordo com organizador do evento, Prof. Lyderson Facio Viccini, este tema é muito complexo. “Para nós, evolucionistas, já está provado a teoria de Darwin, mas este é um assunto que mistura ciência e religião e mexe com a fé das pessoas”, afirma. Apesar disso, o professor disse que nunca teve problemas com alunos. “Ninguém nunca contestou a teoria darwinista”.
Recentemente, nos Estados Unidos, surgiu uma nova teoria, denominada Teoria do Design Inteligente, na tentativa de unir as teorias. Um designer - Deus - teria disparado a vida, dado o pontapé inicial. E a teoria de Darwin explicaria o desenvolvimento das espécies, o que teria acontecido depois. Portanto, não seria contestada a origem de Deus, mas ela não impediria a existência da teoria darwiniana. Defensores do design inteligente buscam fundamentalmente redefinir a ciência para que a mesma aceite explicações sobrenaturais.
O III Ciclo de Palestras, com o tema “2009 - o ano Darwin, a teoria que mudou o mundo”, é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Imunologia/Genética e Biotecnologia e o Laboratório de Genética da UFJF para comemorar os 200 anos de nascimento de Charles Darwin.
A programação do evento, que acontece entre os dias 2 e 3 de julho, enfatiza os aspectos atuais da evolução dos seres vivos, inclusive da espécie humana. Professores de diversas instituições do país foram convidados para as palestras. No dia 2, haverá uma sessão de cinema no Anfiteatro do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) com exibição de um documentário sobre a vida e o trabalho de Darwin. Já no segundo dia as atividades acontecem no Museu de Artes Murilo Mendes (MAMM).
Fonte: UFJF